sábado, 26 de abril de 2014

MEMÓRIA NO AUTISMO - INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E SUAS FUNCIONALIDADES


Vou falar de memória no autismo, quais são os critérios da inteligência e como a memória funciona:
A) Frases sobre autismo, a inteligência e seus critérios.
Há muitas formas de citar o autismo e a realidade, vou citar algumas frases:
''O autismo não me define'': É uma frase escrita por Temple Grandin, uma Asperger de 66 anos. Ela afirma que o autismo faz parte de si, porém não a define. Logo eu entendo que meu nome não é autismo, nem a minha personalidade ou identidade em si. Por isso, a população costuma dizer que cada autista é único e cada personalidade também é única por natureza.
''O autismo não define inteligência'': Há um estereótipo criado por muitos leigos no assunto, dizendo que todos os autistas ou Aspergers tem inteligência acima da média. O fato é que cada autista tem o seu próprio nível de inteligência, ou seja, a pessoa que tem uma deficiência intelectual não deve ser subestimada, nem tampouco os gênios não deverão ser exaltados ou superestimados demais. Isso significa que as pessoas com inteligência abaixo da média também podem ser talentosos.
''Viver no seu próprio mundo'': É um estereótipo antigo, alegando que os autistas vivem no próprio mundo. Sabemos que por lado de dentro do autismo, existem muitos enigmas para serem descobertos. O fato é que quando a pessoa é bem estimulada, consegue interagir melhor, isso inclui o processo natural de amadurecimento social, inclusive os autistas que estão nessa fase.
''O autismo é uma deficiência'': Essa frase gera controversas e gera polêmicas. Isso está baseado entre a visão legalista e a realidade dos próprios autistas. O movimento neurodiverso prefere evitar a palavra síndrome, deficiência, doença, pois geram visão negativa sobre o autismo, dando a impressão de subestimação dos mesmos. O que os autistas tem em comum com os típicos é que ambos não deixam de ser seres humanos.
Não podemos deixar que o autismo nos defina como um todo, mas também não podemos pensar apenas nos pontos negativos sobre o autismo, pois os pontos negativos não duram para sempre. A maioria dos autistas querem apenas manter os pontos positivos e isso é muito bom. Se caso a pessoa tenha inteligência acima da média, a mesma deve compartilhar seus conhecimentos para com os outros, assim as pessoas aprendem com a pessoa. Isso não significa que as pessoas com inteligência dentro da média não são capazes de ensinar os outros. Essa capacidade é natural, todos nós temos algo para compartilhar com os outros.
Se o autismo definisse a inteligência como um todo, então todos os inteligentes seriam autistas. Isso de fato está fora da realidade, pois existem pessoas não-autistas que são superdotadas e que possuem inteligência acima da média. O fato é que a inteligência e o autismo são critérios muito distintos.
Outro fato é que há autistas inteligentes, claro. Vemos que existem pessoas autistas que aprendem muitas coisas sozinho, apenas lendo os livros do seu interesse natural. Os autistas que são interessados por ciência, gostam de ler livros sobre os artigos científicos, outros gostam de estudar o corpo humano. Outros apendem a tocar algum instrumento musical precocemente, com 5, 6, 7 anos de idade.
A capacidade de memorização também não define a inteligência como um todo. A pessoa pode se lembrar de muitos fatos com mais detalhes que o normal, pode ter excelente memória, mas isso não significa que a pessoa pode ter inteligência acima da média. Eu posso dizer que ''A inteligência funciona em uma das memórias, mas não em todas as memórias.'' Isso significa que eu preciso usar o meu cérebro para escrever e planejar a escrita para abordar meus conhecimentos sobre determinados assuntos, isso não significa que eu possa me lembrar de fatos conforme a velocidade do meu raciocínio lógico.
O nosso raciocínio lógico não é a capacidade de memorização como um todo, mas faz parte de uma das memórias. Assim é o autismo. O autismo não nos define, mas pode fazer parte das nossas vidas.
B) Semelhanças e diferenças entre inteligência e habilidades especiais.
Quais são as principais diferenças entre inteligência e habilidades especiais? São muitas formas de sintetizar essa diferença entre os dois, vou citar as possíveis diferenças e semelhanças:
A inteligência é uma proporção que interliga em uma das memórias, ou seja, para adquirir conhecimentos, é necessário usar a recordação para trazer aquilo que aprendeu para o presente. Mas isso não é um sinônimo geral da inteligência, mas é um processo que interliga a inteligência das memórias.
A inteligência é uma habilidade mental, pois a mente pode fazer aquele processo que envolve entre as memórias e as inteligências múltiplas. Isso significa que mesmo a pessoa tocando um instrumento musical, não quer dizer que a pessoa tenha conhecimento sobre a teoria musical, partituras ou algo que envolve os conhecimentos da música. Esse fenômeno é conhecido como habilidade especial.
As semelhanças entre habilidade especial e inteligência está justamente na interligação entre as memórias. Isso significa que tanto a inteligência como as habilidades necessitam de uma das memórias para voltar a processar em sua mente. Quando se trata de habilidades especiais dentro e fora do autismo, está também interligando a coordenação motora de cada um. Para tocar um instrumento musical, você precisa dominar a sua coordenação motora, dos braços ou das mãos. (dependendo do tipo de instrumento musical) Nos instrumentos de sopro, você também vai precisar das mãos para combinar as notas musicais e usar o sopro para extrair os sons, tudo isso necessita de coordenação motora treinada para esta atividade.
Na inteligência, há algumas diferenças, algumas dessas inteligências não necessitam de coordenação motora, outras sim. Falar verbalmente sobre determinados assuntos precocemente, você só precisa apenas extrair as palavras. Jacob Bornett usa a sua voz para compartilhar seus conhecimentos para com seus colegas universitários. Para muitos, apenas usando a voz não define inteligência como um todo, pois se fosse desta maneira, todas as pessoas que fossem apenas dialogar com outras pessoas em sua volta, eras pessoas inteligentes. De fato, não é necessariamente assim, pois tudo envolve a velocidade do raciocínio lógico em si.
Oralmente você pode perguntar ao menino de 3 anos (autista ou não) tudo sobre capitais de países. Um exemplo: Qual é a capital de Portugal? Caso ele responda corretamente, os pais dessas crianças o consideram como inteligente. Caso a criança responda corretamente sem usar o atlas, a criança já pode ser considerada como inteligente. Mas isso não significa que a pessoa mesmo sendo péssima em geografia, deve ser subestimada. Não! não podemos subestimar de jeito nenhum as pessoas só porque são péssimas em alguma área. A pessoa pode ser péssima em uma área, porém a mesma pessoa pode possuir boa coordenação motora para tocar vários instrumentos musicais. Habilidade especial é dom, a inteligência também é dom.
C) As funcionalidades da memória
Esse é mais um critério sobre memórias, mas este agora vai relatar quais são as funções de cada memória e porque que a memória não define inteligência e nem o autismo em si.
Supondo que o cérebro seja um computador. Para que o computador funcione, é necessário que cada peça entre em harmonia. No computador existe a memória RAM, memória do disco rígido e o processador. São esses os três principais elementos juntos que caracterizam o valor da potência do computador em si. Supondo que você vai adquirir um bom computador para trabalhar com edição de fotos e produção de textos. Você vai em uma loja e se depara com diversos computadores, cada computador é único, pode haver um mesmo modelo, porém um mesmo modelo pode ir para vários donos e cada dono vai utilizar o computador de várias maneiras, mas não é sobre isso que vou falar hoje, a questão é saber qual é a potência de cada computador.
Na loja, você se depara com as configurações de cada modelo. Você começa a identificar os números: Por exemplo: O 1° ítem que você viu, possui processador de 2.4 GHz (Quad-Core e Intel Core i7) memória RAM de 6 GB e HD de 750 GB. Que coisa não? Muita gente não entende essas características, mas tudo bem, vamos ao 2° ítem.
Processador de 1.1 GHz (Intel Celeron) memória RAM de 2 GB e HD de 320 GB.
Aí vocês de perguntam: Qual dos dois ítens é o mais potente? A resposta seria o primeiro ítem, já que o computador tem maior processamento e maior capacidade de memorizar arquivos.
Mas o que isso tem haver com a desmistificação das memórias? Simples. A memória interna do computador faz o mesmo papel das suas recordações, fatos que você armazena na sua memória. Quanto maior é a quantidade HD no seu computador, mais arquivos você será capaz de armazenar no seu computador. Haja espaço e haja cérebro com esses detalhes técnicos! Pois é, porém nos seres humanos, quando a idade avança, diminui apenas o processamento da memória, porém podemos aumentar o nosso armazenamento, isso se chama experiência.
Quando crianças, todos nós aprendemos mais rápido, conforme a idade vai se avançando, vamos perdendo, não a capacidade de armazenamento, perdemos a velocidade do processamento, por isso demoramos mais para aprender quando adultos.
A minha tese é que as memórias são múltiplas, cada memória possui sua própria funcionalidade, uma de armazenar, outra memória é volátil. A parte do armazenamento é fácil de entender, mas o que é memória volátil? Imagine você estudando na sala de aula, escrevendo um texto. Naquele momento, você está escrevendo, formando ideias na sua mente. A memória volátil é parte da memória que não armazena, pois você não é capaz de lembrar dos seus textos quando se passa 2 anos, a não ser que você guarde um de seus textos em sua gaveta, ou no baú.
Isso explica o suposto ''esquecimento.'' Você pode ser capaz de se lembrar de alguns episódios nos tempos de escola em que o seu professor está explicando determinadas matérias. Porém a lição que você fez, talvez a prova, você quase não se lembra da tal prova, pois naquela época você era criança e hoje já é um adulto. Isso é uma memória volátil.
A velocidade do processamento já é outra função do cérebro. Você pergunta: Quando eu era criança, eu aprendi a soletrar palavras muito rápido, mas percebi que depois de adulto, eu demoro para aprender as teorias da mente. Por quê? Devido ao envelhecimento natural do cérebro, a nossa velocidade de processamento diminui, por isso, demoramos mais para aprender na idade adulta. Voltando ao computador: É como se o raciocínio fosse bem assim: Com 8 anos, podemos processar em até 3.0 GHz, com 15 anos, a nossa mente pode processar em 2.0 GHz e aos 30 anos, o processador diminui para 1.5 GHz.
Já o armazenamento é o contrário: Com 8 anos, a mente pode armazenar arquivos em até 250 GB, com 15 anos pode chegar em até 500 GB e com 30 anos, pode chegar a 1 TB. Aí você me pergunta: Porque que o armazenamento aumenta quando chegamos a vida adulta? O segredo está no aprendizado e no processo de amadurecimento.
Digamos que quando uma pessoa tinha 8 anos, estudava em uma escola e aprendeu a ler e a escrever corretamente, aprendeu a fazer contas e a desenhar. A mesma pessoa deixou o tempo passar e um certo dia completou 15 anos de idade. Agora esta pessoa já está aprendendo a produzir textos e inventar histórias realistas e que surpreendeu professores com seus poemas. O tempo passa novamente e a pessoa completou seus 30 anos e se tornou professora universitária. Como professora ela ensina seus alunos e conta tudo o que aprendeu desde criança, até chegar onde ela chegou. O armazenamento nesse caso são as experiências da vida.
Leonardo Ricardo dos Santos

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