sábado, 22 de julho de 2023

Tamanho da letra

 Existem vários tipos e tamanhos de letra, indicados para públicos diferentes. Não se pode usar textos com corpo inferior a 10 pontos e acima de 14 pontos, o tamanho da fonte pode ser utilizado por pessoas com problemas leves de visão e para baixa visão, corpo acima de 18 pontos. 

Os tamanhos de letra que entra em zona de conforto tem corpo em média de 12 pontos. Uma letra considerada legível tem corpo igual ou superior a 9 pontos. 


Tamanho da letra e classificação. 


As letras consideradas minúsculas, segundo o leitor tem corpo entre 6 e 9 pontos. Pra se ter uma ideia, o tamanho de letra com corpo de 6 pontos não é recomendada para o leitor, uma vez que o tamanho da fonte torna uma leitura desagradável, sobrecarregando o globo ocular. 

Entre 9 e 10 pontos, trata-se de uma fonte pequena, ainda fora da média ou da zona de conforto visual. São tamanhos de fontes minimamente legíveis e mais adequadas para textos pequenos ou pra quem tem acuidade visual superior ao normal. 

Entre 11 e 12 pontos, as letras são consideradas médias para o leitor, porém entra na zona de conforto-limítrofe para as pessoas com hipermetropia e presbiopia. São letras de tamanho visível, mas não são tão consideradas de fácil leitura, como veremos em tamanhos da fonte superiores. 

Para trabalhos escolares, a tipografia exigida pelo professor seria a tão famosa Arial 12, porém não atende todo o leitor. 

Entre 12 e 14 pontos, o tamanho da letra é considerada grande. As bíblias de editoras evangélicas classificam o corpo 12 como "extra-gigante," embora não atende os requisitos mínimos para a classificação, extra-gigante seria uma fonte superior a 21 pontos, podendo ser substituído como letras grandes ou de fácil leitura. (mínimo 12.5 pontos e máxima de 16 pontos) São tipografias ideais para uma leitura mais intensiva com textos maiores e não sobrecarregam o olho. Para certo público, as letras com corpo superior à 14pts são consideradas grandes demais, enquanto pessoas com problemas de visão e terceira idade já são de tamanhos ideais. 

O tamanho de letra de corpo 14pt são altamente legíveis e muito agradáveis para pessoas com hipermetropia, presbiopia e até astigmatismo. Ainda não muito adequadas para baixa visão, esse tamanho de letra, acaba não sendo o suficiente para um público com visão prejudicada pela retinose pigmentar e afins. 

Entre 14 e 18 pts (leitura sem óculos) são tipografias consideras gigantes ou super gigantes. (Que para o leitor seria uma fonte acima de 18 pt, porém as editores superestimam por causa do marketing) Indicadas para terceira idade e baixa visão, uma letra tremendamente grande e fora do normal. Os hipermetropes com dioptrias inferiores a 2 conseguem ler sem óculos a partir dos tamanhos 14 ou 16pt, o que torna o tamanho da fonte que isenta o uso de óculos. A preferência para letras com corpo superior a 14pts entre pessoas com diabetes e baixa visão, possibilita a identificação das letras e dos números. Pessoas com glaucoma e retinose pigmentar também tem preferência com fontes igual ou superior a 16pts, isentando o portador de glaucoma o uso de instrumentos ópticos como lupas e até óculos. 

Acima dos 18 pts, a letra é enorme, considerada super gigante claramente voltada a pessoas com problemas moderados e severos de visão, como a própria retinose pigmentar e glaucoma. Quando um hipermetrope com cerca de 3 dioptrias pega um livro com tamanho de fonte 18pt ele maravilhosamente consegue ler quando esse tipo de tipografia é mais grossa e oferece mais destaque ao leitor. Quando ele coloca os óculos, ele diz que as letras são maiores que o mundo que ele via. 

Existem pessoas que mesmo tendo livros com letras acima de 21 pt, ainda usam instrumentos ópticos como lupas e lunetas, além dos óculos de leitura com 25 dioptrias. Essa é a tão chamada baixa visão no seu auge. 

O tamanho da fonte é tão específica, que qualquer leitor vai achar o tamanho exagerado, porém o público que consome livros com fontes acima de 18 pt, são pessoas da terceira idade, baixa visão e glaucoma. 


Resumindo: Para quem usa óculos, o tamanho da fonte ideal é entre 12 e 14 pontos. 

Para a terceira idade, o tamanho mínimo de fonte seria a partir de 14 pontos, chegando aos 16 pontos de corpo. 

Para as crianças menores de 6 anos, o tamanho da fonte vai ser superior a 21 pontos. O público adolescente que tem boa acuidade visual consegue ler com letras de 11 pontos. 

Para os maiores de 35 anos, recomenda-se o tamanho da fonte entre 12 e 14 pontos, dependendo da visão, assim como hipermetropes e présbitas jovens. 

Aos maiores de 60 anos, o tamanho da fonte varia entre 14 e 18 pts

Os portadores de diabetes, glaucoma e retinose pigmentar, recomenda-se o uso de fonte igual ou superior a 18pt. A tão famosa Arial 18pt deve atender muito bem esse público. 

Para as crianças acima dos 6 anos, o tamanho da letra pode cair de 21 para 12 pontos aos 12 anos de idade. Embora editoras tradicionais insistem que o Arial 11 ou 10 pts já são os suficientes para o público acima dos 10 anos. Devo pensar seriamente em um público com hipermetropia ou com outros distúrbios na visão, é importante ter edições de livros com fontes maiores, o que não acontece normalmente. 

E para o público com baixa visão, é necessário que o tamanho da fonte seja igual ou superior a 18 pontos e isso exigir folhas ou formatos maiores para caber o tamanho da letra sem ficar desproporcional. Pessoas que necessitam de um tamanho da letra superior a 24 pts é candidato ao conteúdo braile.


fonte minúscula, entre 6 e 9 pts. 

Não recomendado para a leitura intensiva, devido ao maior esforço visual. 

Fonte pequena entre 9 e 10 pontos, dependendo do tipo de fonte. 

Recomendado apenas para leitura curta 

Fonte padrão ente 10 e 12 pontos. 

Recomendado para um leitor médio que não gosta de letras grandes. 

Fonte grande, entre 12 e 16 pts

Indicado para quem busca conforto na leitura ou pessoas com problemas leves de visão como presbiopia, hipermetropia e astigmatismo. 

Leitura fácil para todas as idades, inclusive idosos e crianças. 

Fonte gigante entre 16 e 21 ptos.

Usado em livros pra idosos e pessoas com baixa visão, devido ao tamanho da letra. 

Indicado para pessoas com problemas moderados de visão. 

Fonte super gigante + de 21 ptos. 

Recomendado para deficientes visuais.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Problemas de visão

 Existem inúmeros problemas de visão que podem ser classificadas em vários grupos. 


Hipometropia ou miopia


Popularmente conhecido como miopia ou vista curta, "síndrome do olho forte” a hipometropia é um erro refrativo que faz com que as imagens distantes fiquem turvadas e as imagens próximas fiquem muito mais compensadas que o normal. 

O olho míope tem o poder de convergência superior ao normal, pois seu sistema ocular é alterado e a imagem de forma entre a retina e o cristalino, logo antes da retina. 

Uma pessoa com cerca de 5 dioptrias de hipometropia consegue enxergar a apenas 0,34m de distância, porém uma pessoa com apenas 1 dioptria enxerga até cerca de 2,5 metros. 

As lentes divergentes diminui a convergência do olho, ou seja, há um enfraquecimento desse olho por trás das lentes, fazendo com que a visão próxima seja equivalente a visão de um emétrope e a visão distante seja compensada, fazendo com que o hipométrope enxergue com nitidez em qualquer distância. 


Hipermetropia


Ao contrário da hipometropia, a hipermetropia é o mesmo que olho fraco. O poder de convergência é muito menor que a de qualquer pessoa, fazendo com que a visão tanto próxima como distante seja comprometida, isso se tratando de elevadas dioptrias, igual ou superior a 6.

Na hipermetropia baixíssima, é difícil perceber se a visão está comprometida ou não a não ser através dos exames de rotina. O problema do hipermétrope é a dificuldade de ler livros, receitas, mexer no celular, até mesmo identificar objetos menores como uma formiga por exemplo. 

O olho do hipermétrope é menor que o ideal, por isso toda criança menor de 2 anos é hipermétrope por natureza. Estudos mostram que ao nascer, o ser humano possui cerca de 42 dioptrias de hipometropia, ou seja, o bebê é incapaz de enxergar em qualquer distância possível. 

Aos 6 meses, a dioptria ideal para a hipometropia fisiológica é cerca de 6 a 8. E sim, talvez alguns bebês já podem passar a usar óculos de grau nessa idade se o grau total de hipometropia for muito maior que o ideal. 

Ou seja, em uma criança que usa óculos com 2 dioptrias de hipometropia, possui na verdade cerca de 6 dioptrias totais. Como sua dioptria total é muito alta, a criança não irá conseguir compensar toda essa graduação, pois os olhos são fracos demais. Portanto, as famosas lentes de aumento ou lentes convergentes fortalecem os olhos e as crianças já conseguem ler com mais qualidade. 

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Autismo e Genialidade

Recentemente as pessoas já estão mais informadas, porém ainda temos muito o que descobrir. Antigamente as pessoas consideravam o Asperger como um gênio, acreditava-se que nós Aspies tinham essa ''genialidade.'' Na verdade esse ponto de vista eu não concordo, até porque atualmente vemos Aspies não tão geniais assim. No Brasil, não é tão impossível encontrarmos um Asperger com mais de 140 pontos no QI, porém a inteligência emocional é lá embaixo pode?

Talvez é porque para o cérebro, é mais fácil processar justamente nas Altas Habilidades, superdotação ou genialidade, já que o cérebro de um autista pode processar de maneiras diferentes, podendo reagir de maneiras diferentes também. Gênio ou autista?
No caso de Dexter, se fosse um personagem real e fizesse mesmo história como fez Albert Einstein, ele tinha sido diagnosticado como Asperger e seu QI era no mínimo 170 pontos, já que era um menino de apenas 7 ou 8 anos e que era um ''Símbolo da genialidade,'' completamente hiperfocado na Tecnologia e Ciência.

Como o Dexter é só um desenho animado, mesmo assim acredito que ele representa muitos aspies de hoje em dia, pelo menos os que tem interesses em comum, principalmente crianças que gostam de estudar matérias que normalmente os adolescentes estudam, ou seja, sempre acima da idade, ou seja, a inteligência entra de novo.
Uma criança de 8 anos hoje em dia é tão esperta que, conhece a maioria dos aplicativos de celulares. Seria isso uma genialidade? Ou porque os estudos mostram que o QI das crianças estão subindo?

Embora um Asperger não converse muito em público, em compensação o mesmo pode superar a maioria dos colegas de classe. Seria isso uma genialidade para quem é da década de 40? Novas tecnologias, novas adaptações. Na década de 40, não havia tanta tecnologia como hoje em dia, o que eu quero dizer é que quem viveu na década de 40 e está vivo até hoje, pode achar que o tablet é algo genial. Mas o que tem haver isso com a realidade dos autistas de hoje? Ainda tem muita gente leiga no assunto, é tanto que não conhece o autismo.

Estive conversando com uma mãe em um dos grupos e ela achou estranho o filho acertar tudo na prova, sendo que nas aulas ele não presta atenção na professora. Segundo a versão dessa mãe, o filho não entende a tal matéria, mas quando passa pela avaliação/prova, ele acerta tudo. Depois ela falou que ele além de autista (não sei se é Asperger) ele tem TDA, o que explica o déficit de atenção. Disse pra ela que não é nada estranho quando o assunto é TDA. Quanta leiguice não? O que eu achei interessante é que o filho dela acerta tudo na prova. Genial não?

Autistas ou gênios? Depois de explicar esse exemplo, talvez as pessoas precisam pesquisar mais um pouco sobre como funciona a mente de um autista. Sempre terá peculiaridades na mente, pois nenhum cérebro processa de maneira igual. Só porque a criança acerta tudo na prova, não quer dizer que ela seja um gênio, é porque ela se focou com facilidade, prestando atenção no professor ou não. Claro, qualquer um deve prestar atenção no professor para aprender coisas do gênero.

Aprender a tocar vários instrumentos musicais é um dom, não é um símbolo da genialidade, da inteligência, etc. As informações entram no cérebro dessa pessoa de maneira rápida, que aparenta ser tudo simples. A pessoa assiste os vídeos no YouTube e começa a repetir o método bem rápido, chegando a surpreender psicólogos, pais, professores e amigos. Altas Habilidades ou essa pessoa é um gênio? Opa, o rapaz que toca violão é inteligente viu? Você pode ouvir muito as pessoas dizendo que o rapaz que toca o instrumento é inteligente. Inteligência é uma coisa, genialidade é outra coisa, mas tem tudo haver, só que é diferente.

A genialidade não garante sucesso, porém se souber usar a sua inteligência, você vai longe com suas ideias e teorias. Não basta ser genial para ser conhecido no mundo, o mundo precisa de você do jeito que você é, independentemente da sua condição. Ou seja, se você é autista, habilidades você tem, as pessoas costumam te chamar de inteligente porque talvez você consiga revelar alguns de seus talentos para o público. Genial não?

Por Leonardo Ricardo dos Santos

Autista de Alta Funcionalidade

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Interação Social - A fase inicial no Processo de Amadurecimento

A interação social de um autista no início da vida é sempre um pouco mais difícil. É como um quebra-cabeça com encaixe diferente, em que sentido? As pessoas ''ditas normais,'' pelo menos a maioria tendem a abordar assuntos diferentes do interesse da criança autista. Quando interagem, elas ''estranham'' o comportamento, as ''manias,'' estereotipias, características autistas em geral. É comum as crianças ditas normais não compreenderem as crianças autistas por causa disso. Quando uma criança autista olha pouco nos olhos, as outras crianças que são diferentes desta (a autista) não entendem o porque que isso ocorre, algumas até questionam o porque que o amigo autista é assim.

Brincar de jogar bola com as crianças típicas é um pouco ''massante'' para uma criança autista, algumas ''enjoam'' muito rápido, ou não interessam em interagir nesse ponto. Se não tem coordenação motora para amarrar os sapatos, a criança autista não quer ser muito cobrada pelas típicas, ou se querem aprender a amarrar o tênis sozinhos, as crianças típicas devem ter paciência para isso. A melhor opção é o professor descobrir qual das crianças é a mais calma e a mais paciente. Crianças simpáticas ajudam na interação social dos autistas, digo isso por mim mesmo.

Porque eu digo que ''as crianças simpáticas ajudam a criança autista a se interagir?'' Quando a criança típica se interessa em aprender com uma criança autista, fica bem mais fácil aprender a interagir. São poucas as crianças que possuem simpatia o suficiente para ajudar o amigo autista a interagir. {...} Para a interação social de uma criança autista melhorar, é necessário que o professor, consiga usar métodos para o desenvolvimento cognitivo e intelectual melhorar, fora a interação social. O professor precisa explicar aos alunos o que é o autismo, e explicar também que os autistas ''não vivem apenas no seu próprio mundo'' e sim precisa de simpatia.

Se a criança típica não interagir, ou interagir pouco, o amigo ou colega autista não vai se sentir seguro, é necessário que haja interação entre eles, o que na realidade é bem difícil. ''Por experiência própria, eu precisava de alguém para conversar na escola, porém poucos me davam atenção e apenas conversavam entre si.''
A tendência hoje em dia é essa: ''As crianças típicas gostam mais de conversar entre si, sendo poucas as crianças que conseguem manter um diálogo com uma autista.''

E quando a criança autista é sensível a barulho? As crianças tendem a gritar em festas, aniversários, comemorações, enfim. A criança autista gostaria muito de interagir em festas, porém o que faz evitar a interação são os barulhos bruscos e a aglomeração de pessoas no local.
A outra tendência: A criança autista pode não conseguir conversar com mais de duas pessoas ao mesmo tempo. Porque isso acontece com algumas crianças e adolescentes? Porque o cérebro não processa tanto assim, fica desorganizado, fazendo com que a criança ou um adolescente autista prefira realizar uma atividade de cada vez, ou conversar com uma só pessoa, principalmente em lugares silenciosos. {...}

Quando duas ou mais pessoas falar ao mesmo tempo, o cérebro de um autista pode não processar bem nesse quesito certo? A criança ou um adolescente não consegue entender as conversas, por isso as informações quando chegam ao cérebro, são mal interpretadas. (depende de cada caso)
Nada é mais importante do que a comunicação certo? Não cobre muito das crianças autistas, pois elas necessitam de compreensão. E quando a criança autista possui memória boa?

Outra tendência sem ser generalista, pois esse não é meu objetivo. Uma criança autista pode gravar com facilidade e citar tudo aquilo que aprendeu durante as aulas.{...} E quando a criança autista usa a sua super memória durante a conversa? Isso pode até ser bom, principalmente quando as outras crianças querem aprender tal matéria com seu colega autista. Teorias da Mente e Super memória --- As tendências da Mente Autista.

A criança autista usa o seu hiperfoco, e quando a mesma não consegue sair do assunto? Simples. Na escola, o professor deve ter consciência que a criança autista deve usar o seu hiperfoco apenas em ocasiões específicas, pois o hiperfoco pode contribuir para o futuro. Não recomenda ''cortar'' de vez, e outra coisa, tudo depende do Processo de Amadurecimento e de qual nível a criança se encontra. {...} Hiperfoco e Interação Social, o Desafio da Vida Escolar entre Crianças Autistas.

Bom, para concluir, é muito importante saber que é uma tendência uma criança autista aprender mais rápido do que muitas crianças típicas. Isso não significa que a inteligência é um critério que define o autismo como um todo, isso não! Porém quando a criança autista aprende rápido, o que o professor faz? Ele admira seu aluno. Porém quanto ao critério das estereotipias e manias, o professor pode até cobrar do aluno autista.
Qual é o método para as estereotipias não se manifestarem? Simples. A criança precisa ocupar a mente, escrever, ela quer auxiliar o cérebro a processar e quando isso não acontece? As estereotipias se manifestam.

Leonardo Ricardo.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Conheçam o mundo de fantasias - Espectro Autista e Atualidade

Mente visual ajuda na invenção de histórias realistas.

Como vocês já sabem, a palavra autismo é o mesmo que viver no próprio mundo, para alguns esse ''mundo'' é conhecido como ''o mundo interno de fantasias'' pois a mente de um autista consegue inventar muitas coisas. Como definir o mundo de fantasias? ''Um autista pode inventar histórias, até mesmo realistas, penso eu.''
Como a mente autista funciona de maneiras diferentes de uma mente não-autista, também conhecida como ''neurotípicos'' o mesmo que ''ditos normais,'' é possível que quando entro eu ''meu mundo'' como muitos dizem por aí, começo então a ter novas ideias e usar minha imaginação. ''A mente de um autista é imaginária, pois essa é a função de uma mente pensante, logo um autista pensa muito e pode falar pouco.'' (Minha versão e minha tese, pois compreendo que existem autistas que também são tagarelas)

O mundo de fantasias é rico, e um autista pode se aprofundar nesse ''mundo'' para aperfeiçoar suas ideias e teorias. Não é a toa que a própria Temple Grandin inventou a máquina do abraço para amenizar toda a sua ''agonia.'' ''O mundo interno de fantasias não define a inteligência, porém quando um autista inventa algo, não quer dizer que o mesmo tenha inteligência, sua mente é rica em ideias e pode aperfeiçoá-las com mais facilidade.''
Quando um autista inventa uma história bastante realista, que impressiona o público, ele utiliza um método que talvez seja interessante, sua mente visual. Quando se pensa em imagens, se torna mais fácil para um autista inventar uma história, isso não funciona com todos certo? Porém o que eu quero dizer é que, com o pensamento visual, cada episódio que aparece na mente de um autista, pode fazer com que se torne uma história bem contada.

Creio eu que o mundo de fantasias, pode fazer parte da memória visual, ou seja, quando a mente de um autista fotografa as imagens, se associa a criatividade em alguma área, uma delas é inventar histórias, podendo ser baseadas em vida real, ou não.
Um bom inventor de histórias inicia o primeiro capítulo como sua mente visual. Cria-se personagens e dá nome a cada um deles.
Com sua mente visual e memória fotográfica, um autista inventa uma situação e começa a usar seu raciocínio e sua mente visual para escrever sua história em que vai inventar, que prossiga a situação que vem do cérebro para o papel, até que as primeiras páginas fiquem repletas de situações.

Depois que um autista consegue terminar o primeiro capítulo da sua história inventada, ele começa a ir para o segundo capítulo e inventar outra situação, outa cena, usando a sua mente visual e sua memória fotográfica. Que prossiga sua invenção, até chegar ao meio, onde momentos de suspense ocorre.
Depois de encher suas páginas de capítulos, enfim, ele chega ao meio da história, onde aumenta os momentos de drama e suspense. Com sua mente visual trabalhando e suas ideias florescendo e dando frutos, um autista inventa uma situação de drama e suspense e esse é o meio da história. Quando um autista entende muitas metáforas, o mesmo começa a utilizar esse método, quando não utiliza, fica bem mais discreto.

Enfim, as ideias de um autista vão aperfeiçoando, até chegar ao final da história. Quando um autista quer terminar sua história inventada por intermédio do mundo de fantasias, o mesmo quer chegar ao final feliz certo? Logo a situação dos personagens criados pelo inventor autista muda e tudo começa a ficar mais alegre e agradável aos leitores. Quando essa história inventada é boa de se ler, então essa história inventada se torna um livro publicado. Depois de ter publicado seu primeiro livro, um autista, depois de meses de trabalho e de inspiração, então ele começa a ler e reler o seu próprio livro, já com título específico para sua história e com as situações criadas pelo autor em ordem. Esse pode ser o mundo de fantasias de um autista, porém tudo depende de como você irá usar o seu raciocínio lógico e que prossiga as suas ideias.

Leonardo Ricardo dos Santos

sábado, 26 de abril de 2014

MEMÓRIA NO AUTISMO - INTELIGÊNCIA, MEMÓRIA E SUAS FUNCIONALIDADES


Vou falar de memória no autismo, quais são os critérios da inteligência e como a memória funciona:
A) Frases sobre autismo, a inteligência e seus critérios.
Há muitas formas de citar o autismo e a realidade, vou citar algumas frases:
''O autismo não me define'': É uma frase escrita por Temple Grandin, uma Asperger de 66 anos. Ela afirma que o autismo faz parte de si, porém não a define. Logo eu entendo que meu nome não é autismo, nem a minha personalidade ou identidade em si. Por isso, a população costuma dizer que cada autista é único e cada personalidade também é única por natureza.
''O autismo não define inteligência'': Há um estereótipo criado por muitos leigos no assunto, dizendo que todos os autistas ou Aspergers tem inteligência acima da média. O fato é que cada autista tem o seu próprio nível de inteligência, ou seja, a pessoa que tem uma deficiência intelectual não deve ser subestimada, nem tampouco os gênios não deverão ser exaltados ou superestimados demais. Isso significa que as pessoas com inteligência abaixo da média também podem ser talentosos.
''Viver no seu próprio mundo'': É um estereótipo antigo, alegando que os autistas vivem no próprio mundo. Sabemos que por lado de dentro do autismo, existem muitos enigmas para serem descobertos. O fato é que quando a pessoa é bem estimulada, consegue interagir melhor, isso inclui o processo natural de amadurecimento social, inclusive os autistas que estão nessa fase.
''O autismo é uma deficiência'': Essa frase gera controversas e gera polêmicas. Isso está baseado entre a visão legalista e a realidade dos próprios autistas. O movimento neurodiverso prefere evitar a palavra síndrome, deficiência, doença, pois geram visão negativa sobre o autismo, dando a impressão de subestimação dos mesmos. O que os autistas tem em comum com os típicos é que ambos não deixam de ser seres humanos.
Não podemos deixar que o autismo nos defina como um todo, mas também não podemos pensar apenas nos pontos negativos sobre o autismo, pois os pontos negativos não duram para sempre. A maioria dos autistas querem apenas manter os pontos positivos e isso é muito bom. Se caso a pessoa tenha inteligência acima da média, a mesma deve compartilhar seus conhecimentos para com os outros, assim as pessoas aprendem com a pessoa. Isso não significa que as pessoas com inteligência dentro da média não são capazes de ensinar os outros. Essa capacidade é natural, todos nós temos algo para compartilhar com os outros.
Se o autismo definisse a inteligência como um todo, então todos os inteligentes seriam autistas. Isso de fato está fora da realidade, pois existem pessoas não-autistas que são superdotadas e que possuem inteligência acima da média. O fato é que a inteligência e o autismo são critérios muito distintos.
Outro fato é que há autistas inteligentes, claro. Vemos que existem pessoas autistas que aprendem muitas coisas sozinho, apenas lendo os livros do seu interesse natural. Os autistas que são interessados por ciência, gostam de ler livros sobre os artigos científicos, outros gostam de estudar o corpo humano. Outros apendem a tocar algum instrumento musical precocemente, com 5, 6, 7 anos de idade.
A capacidade de memorização também não define a inteligência como um todo. A pessoa pode se lembrar de muitos fatos com mais detalhes que o normal, pode ter excelente memória, mas isso não significa que a pessoa pode ter inteligência acima da média. Eu posso dizer que ''A inteligência funciona em uma das memórias, mas não em todas as memórias.'' Isso significa que eu preciso usar o meu cérebro para escrever e planejar a escrita para abordar meus conhecimentos sobre determinados assuntos, isso não significa que eu possa me lembrar de fatos conforme a velocidade do meu raciocínio lógico.
O nosso raciocínio lógico não é a capacidade de memorização como um todo, mas faz parte de uma das memórias. Assim é o autismo. O autismo não nos define, mas pode fazer parte das nossas vidas.
B) Semelhanças e diferenças entre inteligência e habilidades especiais.
Quais são as principais diferenças entre inteligência e habilidades especiais? São muitas formas de sintetizar essa diferença entre os dois, vou citar as possíveis diferenças e semelhanças:
A inteligência é uma proporção que interliga em uma das memórias, ou seja, para adquirir conhecimentos, é necessário usar a recordação para trazer aquilo que aprendeu para o presente. Mas isso não é um sinônimo geral da inteligência, mas é um processo que interliga a inteligência das memórias.
A inteligência é uma habilidade mental, pois a mente pode fazer aquele processo que envolve entre as memórias e as inteligências múltiplas. Isso significa que mesmo a pessoa tocando um instrumento musical, não quer dizer que a pessoa tenha conhecimento sobre a teoria musical, partituras ou algo que envolve os conhecimentos da música. Esse fenômeno é conhecido como habilidade especial.
As semelhanças entre habilidade especial e inteligência está justamente na interligação entre as memórias. Isso significa que tanto a inteligência como as habilidades necessitam de uma das memórias para voltar a processar em sua mente. Quando se trata de habilidades especiais dentro e fora do autismo, está também interligando a coordenação motora de cada um. Para tocar um instrumento musical, você precisa dominar a sua coordenação motora, dos braços ou das mãos. (dependendo do tipo de instrumento musical) Nos instrumentos de sopro, você também vai precisar das mãos para combinar as notas musicais e usar o sopro para extrair os sons, tudo isso necessita de coordenação motora treinada para esta atividade.
Na inteligência, há algumas diferenças, algumas dessas inteligências não necessitam de coordenação motora, outras sim. Falar verbalmente sobre determinados assuntos precocemente, você só precisa apenas extrair as palavras. Jacob Bornett usa a sua voz para compartilhar seus conhecimentos para com seus colegas universitários. Para muitos, apenas usando a voz não define inteligência como um todo, pois se fosse desta maneira, todas as pessoas que fossem apenas dialogar com outras pessoas em sua volta, eras pessoas inteligentes. De fato, não é necessariamente assim, pois tudo envolve a velocidade do raciocínio lógico em si.
Oralmente você pode perguntar ao menino de 3 anos (autista ou não) tudo sobre capitais de países. Um exemplo: Qual é a capital de Portugal? Caso ele responda corretamente, os pais dessas crianças o consideram como inteligente. Caso a criança responda corretamente sem usar o atlas, a criança já pode ser considerada como inteligente. Mas isso não significa que a pessoa mesmo sendo péssima em geografia, deve ser subestimada. Não! não podemos subestimar de jeito nenhum as pessoas só porque são péssimas em alguma área. A pessoa pode ser péssima em uma área, porém a mesma pessoa pode possuir boa coordenação motora para tocar vários instrumentos musicais. Habilidade especial é dom, a inteligência também é dom.
C) As funcionalidades da memória
Esse é mais um critério sobre memórias, mas este agora vai relatar quais são as funções de cada memória e porque que a memória não define inteligência e nem o autismo em si.
Supondo que o cérebro seja um computador. Para que o computador funcione, é necessário que cada peça entre em harmonia. No computador existe a memória RAM, memória do disco rígido e o processador. São esses os três principais elementos juntos que caracterizam o valor da potência do computador em si. Supondo que você vai adquirir um bom computador para trabalhar com edição de fotos e produção de textos. Você vai em uma loja e se depara com diversos computadores, cada computador é único, pode haver um mesmo modelo, porém um mesmo modelo pode ir para vários donos e cada dono vai utilizar o computador de várias maneiras, mas não é sobre isso que vou falar hoje, a questão é saber qual é a potência de cada computador.
Na loja, você se depara com as configurações de cada modelo. Você começa a identificar os números: Por exemplo: O 1° ítem que você viu, possui processador de 2.4 GHz (Quad-Core e Intel Core i7) memória RAM de 6 GB e HD de 750 GB. Que coisa não? Muita gente não entende essas características, mas tudo bem, vamos ao 2° ítem.
Processador de 1.1 GHz (Intel Celeron) memória RAM de 2 GB e HD de 320 GB.
Aí vocês de perguntam: Qual dos dois ítens é o mais potente? A resposta seria o primeiro ítem, já que o computador tem maior processamento e maior capacidade de memorizar arquivos.
Mas o que isso tem haver com a desmistificação das memórias? Simples. A memória interna do computador faz o mesmo papel das suas recordações, fatos que você armazena na sua memória. Quanto maior é a quantidade HD no seu computador, mais arquivos você será capaz de armazenar no seu computador. Haja espaço e haja cérebro com esses detalhes técnicos! Pois é, porém nos seres humanos, quando a idade avança, diminui apenas o processamento da memória, porém podemos aumentar o nosso armazenamento, isso se chama experiência.
Quando crianças, todos nós aprendemos mais rápido, conforme a idade vai se avançando, vamos perdendo, não a capacidade de armazenamento, perdemos a velocidade do processamento, por isso demoramos mais para aprender quando adultos.
A minha tese é que as memórias são múltiplas, cada memória possui sua própria funcionalidade, uma de armazenar, outra memória é volátil. A parte do armazenamento é fácil de entender, mas o que é memória volátil? Imagine você estudando na sala de aula, escrevendo um texto. Naquele momento, você está escrevendo, formando ideias na sua mente. A memória volátil é parte da memória que não armazena, pois você não é capaz de lembrar dos seus textos quando se passa 2 anos, a não ser que você guarde um de seus textos em sua gaveta, ou no baú.
Isso explica o suposto ''esquecimento.'' Você pode ser capaz de se lembrar de alguns episódios nos tempos de escola em que o seu professor está explicando determinadas matérias. Porém a lição que você fez, talvez a prova, você quase não se lembra da tal prova, pois naquela época você era criança e hoje já é um adulto. Isso é uma memória volátil.
A velocidade do processamento já é outra função do cérebro. Você pergunta: Quando eu era criança, eu aprendi a soletrar palavras muito rápido, mas percebi que depois de adulto, eu demoro para aprender as teorias da mente. Por quê? Devido ao envelhecimento natural do cérebro, a nossa velocidade de processamento diminui, por isso, demoramos mais para aprender na idade adulta. Voltando ao computador: É como se o raciocínio fosse bem assim: Com 8 anos, podemos processar em até 3.0 GHz, com 15 anos, a nossa mente pode processar em 2.0 GHz e aos 30 anos, o processador diminui para 1.5 GHz.
Já o armazenamento é o contrário: Com 8 anos, a mente pode armazenar arquivos em até 250 GB, com 15 anos pode chegar em até 500 GB e com 30 anos, pode chegar a 1 TB. Aí você me pergunta: Porque que o armazenamento aumenta quando chegamos a vida adulta? O segredo está no aprendizado e no processo de amadurecimento.
Digamos que quando uma pessoa tinha 8 anos, estudava em uma escola e aprendeu a ler e a escrever corretamente, aprendeu a fazer contas e a desenhar. A mesma pessoa deixou o tempo passar e um certo dia completou 15 anos de idade. Agora esta pessoa já está aprendendo a produzir textos e inventar histórias realistas e que surpreendeu professores com seus poemas. O tempo passa novamente e a pessoa completou seus 30 anos e se tornou professora universitária. Como professora ela ensina seus alunos e conta tudo o que aprendeu desde criança, até chegar onde ela chegou. O armazenamento nesse caso são as experiências da vida.
Leonardo Ricardo dos Santos

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um exemplo de um autista intelectual

Poucas pessoas entendem do assunto, a maioria só conhece aquele autismo bem clássico, outros chegam a dizer que o autista não fala e que ''só vive no seu próprio mundo.'' Porém as pessoas não conhecem que há possibilidades de um autista escrever com precisão e que o autismo também possui graus de comprometimento. Existem casos severos (muito conhecido) que as pessoas não chegam a falar, mas também existem casos tão leves que as pessoas quase não percebem, os que têm um raciocínio lógico genial.
Agora voltando ao assunto. Quando uma pessoa com autismo se expressa tão bem, as pessoas não imaginam e nem acreditam e até dizem que não parece que a pessoa ''é'' autista. As pessoas precisam ser mais informadas para saber que há possibilidades de um autista (em determinados casos) viver uma vida normal, como qualquer outra pessoa comum. Isto é mais um exemplo de um autista intelectual!
Autista intelectual é assim, as pessoas ficam completamente admiradas quando ele ou ela (o/a autista) se expressa muito bem, se comunica muito bem. Quem nunca ouviu falar de uma espécie de autismo chamada Síndrome de Asperger se surpreende com as habilidades daquela pessoa que para eles é diferente. Isso aqui é fato real.
E você que tem um filho autista que se expressa muito bem, já falaram assim com ele/a? Você que é autista, você já foi tão admirado a tal pondo de eles não acreditarem que é autista? Fica aí uma reflexão, caso passaram uma situação semelhante, comente aí abaixo.

Leonardo Ricardo dos Santos